13
jul
10

Dá-me do teu vinho, para que essas gotas salinas sejam violentadas quando passarem pelas proeminências dos nossos corpos.

(Foto: Erika Svensson)

Te dou, agora, cada gota salina, para a edificação de voluptuosas torres sentimentais que aniquilaram o exílio que o outro, em repetida violência, impôs. O, também, colorir do refúgio interior que costuma formar tecidos intransponíveis, formar a violação da infância que muitas vezes é confundida com o vento do amadurecimento que faz você cair “inteiro”. Não, o exílio não emudece os órgãos. Do exílio, nasce um grito interior que denuncia a fúria da movimentação do mundo em nós. Os pés dos teus sonhos tocaram no meu jardim interior, até que o teu corpo inteiro – irradiando luz pelas frestas –  deitasse com o peito nu de vísceras expostas ao sol. A fusão dos filetes dourados de raios de sol com os filetes rubros que vem de ti. Tu atingiste o ventre onde agora  quero mergulhar toda minha anatomia para tocar em você. O que dói em um sôfrego latejar de gotas ásperas e salinas, hoje se suicida. O que dói alegremente pede para que tu deites comigo e dispa-me. Dispa-me, Senhor. Arranque-me as roupas e veja um milhão de sóis.

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1 Response to “Dá-me do teu vinho, para que essas gotas salinas sejam violentadas quando passarem pelas proeminências dos nossos corpos.”


  1. 1 douglas D.
    julho 19, 2010 às 1:50 pm

    exílio algum emudece os órgãos…


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