Arquivo para junho \22\UTC 2010

22
jun
10

O pincel molhado pelas lágrimas que choram em cores pelos poros.

A constante comunicabilidade do incomunicável. Diria até que constante, contínua e árdua luta. Para que o outro fique sabendo, para cristalizar o audiovisual cotidiano, que é seiva bruta, em palavra, que é seiva elaborada. Encontrei a palavra cósmico, enovelar, combustão, desatino e incomensurável. As repetências delas no discurso denunciam o carrossel sentimental incessante. No meu corpo, que também é tela, quero pinceladas que variam da cor da tua epiderme, até as cores que nascem de partos na tua retina. Além das mãos estendidas, retinas também estendidas.

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20
jun
10

A cólera divina acenando.

(Foto : Joana Linda)

Estabilizadores. Estabilização, controle e harmonia.  Conseguindo tocar isso com as pontas nos dedos, mas sempre deslizando por quilômetros de pele.  A última lágrima no terceiro olho da cara, como diria Dalton Trevisan.  É difícil saber que o consciente mentalmente transtornado se sobrepõe ao consciente feliz e até o inconsciente. Uma gula ofegante enorme. Eu sei que você tem traços materializados em um rosto. Eu sei. Eu só queria tocar nisso, só queria ver o que há por trás desse véu que é um quadro negro. Giz.  Antes, eu costumava sorrir pra dor. Não seria exatamente sorrir. Alimentava-me, e ela me dava os frutos na forma de escrita violenta. A dor atingindo como um dardo atravessando algum órgão. A hemorragia de palavras. Sim, eu agradecia por isso, por mais que a pele estivesse aberta. Tenho todas as cicatrizes, mas você insiste em mais cortes. Você consegue virar minha mente contra mim, todo majestoso. Tenho o amor, agora. Ainda não desistiu de mim como companheira cheia de fidelidade?  Fui fiel. A infância não vem através de você. Ninguém gosta de ler sobre a dor, e isso dói. As pessoas morrem na obscuridade. Acho que eu gostava de você justamente por saber que não iria perecer nessa obscuridade. Tu me olhaste, me reconheceu e se infiltrou aqui. Deteriorando, dor demorada e grandes euforias para me elevar e depois receber o golpe. Mas não derrubaste minha poesia, nem os sonhos. Só que esses sonhos costumam me levar para o escuro. Eu costumava acordar de órgãos pra fora, e tu aproveitaste disso, não é? Eu sei o que tu olhas nos meus olhos, aqui. A retina foi finalmente pintada como tela, e nela está ele, o amor. O que você quer? Os pulsos estão aqui firmes. Me render? Nunca. Agora sim a boca recheada para dizer: NUNCA. Eu quero a minha casa, quero encostar o amor no ventre. Chega de nomear os demônios, a parte laboriosa agora é nomear a abstração bonita , mesmo sabendo que as palavras ainda precisam adquirir uma forma difícil para a expressividade cósmica. Finalmente estou agarrando a mão dentro de alguém.  É tão bonito. O amor também agarrando a mão dentro de mim. A profundidade como sinônimo de interior. Agradecimento em suspiros.

17
jun
10

Da sedução da infância.


Eu nunca pensei que a nudez mental da infância pudesse voltar assim com essa delicadeza violenta.  O crescimento é sempre marcado por inúmeros véus. Eles vão tecendo e te enovelando até deixar a essência ali adormecida. E eu nunca pensei que seria o amor que desnudaria tudo isso.